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Vista elevada da Avenida Atlântica, em Copacabana, com a fileira de prédios residenciais de frente para a praia e os morros ao fundo

Quanto Custa Demitir os Porteiros na Migração para Portaria Remota — e Como Pagar a Rescisão sem Apertar o Caixa

Quatro porteiros antigos, portaria 24 horas: a rescisão pode passar de R$ 200 mil. O cálculo verba a verba (aviso prévio, multa do FGTS, férias, 13º), três cenários da Zona Sul do Rio e como financiar a demissão com uma parcela que cabe na economia da portaria remota.

Gabriel MeirellesGabriel Meirelles·20 de outubro, 2026·7 min de leitura

A conta da portaria remota costuma chegar à assembleia assim: a portaria presencial custa R$ 25 mil, R$ 30 mil, às vezes mais de R$ 35 mil por mês; a remota, uma fração disso. A economia é evidente — e quase todo mundo vota a favor. Aí vem a segunda conta, a que trava a decisão: quanto custa demitir os porteiros. Em prédio antigo, com funcionários de 20, 30 anos de casa, a rescisão passa fácil de R$ 200 mil. E o fundo de reserva quase nunca tem esse dinheiro parado.

Esse é um dos casos que mais atendemos no crédito para condomínios da Credios: prédios tradicionais da Zona Sul do Rio — Leblon, Ipanema, Copacabana — que já decidiram pela portaria remota e travaram na rescisão. Neste artigo, faço a conta completa: verba por verba, três cenários diferentes e a lógica que destrava a decisão.

O que entra na rescisão de um porteiro

Na dispensa sem justa causa — que é o caso da troca de portaria —, o condomínio paga, pela CLT:

  • Aviso prévio indenizado: 30 dias + 3 dias por ano de casa, até o teto de 90 dias (Lei 12.506/2011). Com 20 anos ou mais de casa, são três salários.
  • 13º salário proporcional — e o aviso indenizado projeta mais meses na conta.
  • Férias vencidas e proporcionais, com o terço constitucional.
  • Multa de 40% do FGTS sobre todo o saldo depositado durante o contrato (Lei 8.036/1990, art. 18), mais o FGTS do mês da rescisão.
  • Saldo de salário dos dias trabalhados no mês.

O item que surpreende o síndico é a multa do FGTS. O saldo do Fundo em si já foi depositado ao longo dos anos — não sai do caixa agora. Mas a multa de 40% incide sobre tudo o que foi depositado em décadas de contrato, e é paga de uma vez. Em porteiro com 30 anos de casa, só ela pode passar de R$ 35 mil.

Hall de entrada de um prédio residencial tradicional, com lustre, sofás, painéis de madeira e portas de elevador
Prédio tradicional, funcionários antigos: quanto mais tempo de casa, mais pesada a rescisão.

A conta de um porteiro com 31 anos de casa

Para enxergar o tamanho, veja a rescisão de um porteiro de um prédio no Leblon, com 31 anos de casa e remuneração de R$ 4.300 (salário mais adicionais de tempo de serviço e noturno):

Rescisão sem justa causa · 31 anos de casa · remuneração de R$ 4.300
VerbaValor aproximado
Aviso prévio indenizado (90 dias, o teto)R$ 12.900
13º proporcional (com projeção do aviso)R$ 3.942
Férias vencidas + proporcionais + 1/3R$ 10.989
FGTS do mês rescisórioR$ 1.347
Multa de 40% do FGTSR$ 37.394
Total pago pelo condomínio≈ R$ 66.500

Um único funcionário: R$ 66 mil. Multiplique por uma equipe inteira de portaria 24 horas — quatro porteiros em escala, às vezes mais um folguista — e a conta passa de R$ 200 mil com facilidade.

Por que, mesmo assim, a portaria remota compensa

Um porteiro não custa só o salário. Somando INSS patronal, FGTS, provisões de férias e 13º e os encargos sobre elas, o custo total para o condomínio fica perto de 1,8 vez a remuneração. Uma portaria 24 horas com quatro porteiros de R$ 3.500 custa, na prática, uns R$ 25 mil por mês. A portaria remota de um prédio desse porte costuma sair entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais, a depender do sistema e do número de acessos.

A economia mensal — R$ 15 mil, R$ 20 mil, às vezes mais — é real e permanente. O problema é só de caixa: a rescisão é paga de uma vez, no começo, e a economia chega mês a mês. É exatamente esse descasamento que o crédito resolve.

Duas câmeras de segurança tipo domo instaladas na quina de granito da fachada de um prédio
Câmeras, controle de acesso e central de monitoramento: a portaria remota troca folha de pagamento por contrato de serviço.

Três condomínios, três situações

Os cenários abaixo são inspirados em casos que atendemos na Zona Sul do Rio. Os valores foram arredondados e os prédios não são identificados, mas a mecânica é exatamente a que vemos na prática. Em todos, o crédito usa a taxa de referência de 2,5% ao mês.

Infográfico com três cenários: Leblon com rescisão de R$ 283 mil, economia de R$ 27,6 mil por mês e parcela de R$ 12 mil em 36 meses; Ipanema com rescisão de R$ 149 mil, economia de R$ 17,9 mil e parcela de R$ 7,1 mil em 30 meses; Copacabana com rescisão de R$ 100 mil, economia de R$ 16,1 mil e parcela de R$ 15,7 mil em 7 meses
Em todos os cenários, a parcela fica abaixo ou, no máximo, no mesmo nível da economia mensal.

Leblon: a equipe mais antiga, a maior rescisão

Prédio dos anos 1970, cinco funcionários na portaria — quatro porteiros em escala 12x36 e um folguista —, todos com 19 a 31 anos de casa. Todos os avisos prévios no teto ou perto dele, multas do FGTS de R$ 20 mil a R$ 37 mil por pessoa. Rescisão total: cerca de R$ 283 mil.

A folha da portaria custava em torno de R$ 37 mil por mês; o contrato de portaria remota, R$ 9,5 mil. Economia: R$ 27,6 mil por mês. Financiando a rescisão em 36 meses, a parcela fica em R$ 12 mil — e o condomínio ainda fica com R$ 15,6 mil por mês de folga desde o primeiro mês, sem chamada extra.

Ipanema: rescisão média, prazo intermediário

Quatro porteiros, entre 12 e 18 anos de casa. Rescisão total: cerca de R$ 149 mil. A folha caía de R$ 25,7 mil para um contrato de R$ 7,8 mil — economia de R$ 17,9 mil por mês.

Com o crédito em 30 meses, parcela de R$ 7,1 mil: menos da metade da economia. Os R$ 10,8 mil que sobram por mês foram para o fundo de obras, e a taxa condominial não precisou subir.

Copacabana: quitar rápido e ficar com tudo

Equipe mais nova, de 6 a 11 anos de casa, e rescisão de cerca de R$ 100 mil. Economia de R$ 16,1 mil por mês. Aqui o síndico preferiu o caminho mais curto: 7 parcelas de R$ 15,7 mil — praticamente o valor da economia.

Na prática, durante sete meses o condomínio paga o crédito com o dinheiro que deixou de gastar com a folha, sem mexer na cota de ninguém. No oitavo mês, a dívida acabou e a economia inteira fica no caixa.

Fachada de prédio residencial modernista no Rio de Janeiro, com faixas amarelas e verde-água e fileiras de janelas
Prazo longo para sobrar caixa, prazo curto para quitar logo: o crédito se ajusta à estratégia do condomínio.

A regra que viabiliza a decisão

O padrão se repete nos três casos: a parcela do crédito fica menor que a economia da portaria remota, ou, no máximo, igual a ela. Ou seja, o condomínio troca a folha de pagamento pela parcela, sem chamada extra e sem aumentar a taxa condominial. Quando o crédito acaba, a economia passa a ser integral.

Demitir os porteiros é caro, sim. Mas, financiada, a rescisão se paga com a própria economia que ela gera.

Antes de fechar o prazo, vale fazer a conta com o custo total, não só com a taxa. É o mesmo princípio que explicamos no artigo sobre o CET, o Custo Efetivo Total.

Cuidados antes de demitir

  • Aprove em assembleia. A troca de portaria e a contratação do crédito devem constar em ata. A Credios entrega o resumo da proposta para os condôminos e o modelo de texto da ata.
  • Calcule com o saldo real do FGTS. A multa de 40% incide sobre o que foi efetivamente depositado, e o extrato de cada funcionário está no FGTS Digital.
  • Fique de olho na data-base da categoria. Pela Lei 7.238/1984 (art. 9º), quem é dispensado nos 30 dias que antecedem a data-base tem direito a uma indenização adicional de um salário. Programar a data da demissão evita esse custo extra.
  • Respeite o prazo de pagamento. As verbas rescisórias devem ser pagas em até 10 dias do fim do contrato, sob pena de multa (CLT, art. 477). Com o crédito liberado antes, o condomínio cumpre o prazo com folga.
  • Planeje a transição. Instale e teste o sistema remoto antes do último dia da equipe presencial, para não deixar o prédio descoberto.

Como funciona o crédito da Credios para condomínios

No crédito para condomínios, a Credios é o credor direto, com capital próprio voltado a condomínios. O crédito é sem garantia de imóvel, sem aval do síndico, e o CPF do síndico não é consultado. O recurso vai direto para a conta do condomínio. Fazemos crédito para condomínios desde 2019, com mais de 200 operações — e a migração para portaria remota é um dos usos que mais vemos. Para conhecer a Credios e as duas frentes em que atuamos, veja quem somos.

Se o seu condomínio está nessa situação, simule a operação em credios.com.br/condominios: você informa o valor da rescisão e vê na hora a parcela estimada para comparar com a economia da portaria remota.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Quanto custa demitir um porteiro com muitos anos de casa?

Em geral, de R$ 40 mil a R$ 70 mil por funcionário com 20 a 30 anos de casa, para remunerações entre R$ 3.500 e R$ 4.500. O maior peso vem da multa de 40% do FGTS sobre todo o saldo depositado e do aviso prévio indenizado, que chega a 90 dias. O valor exato depende do saldo real do FGTS e da convenção coletiva.

O condomínio paga o saldo do FGTS do porteiro?

Não. O saldo já foi depositado mês a mês ao longo do contrato e é sacado pelo funcionário. O que o condomínio paga na rescisão é a multa de 40% sobre esse saldo, mais o FGTS incidente sobre as verbas rescisórias. A antiga contribuição adicional de 10% foi extinta em 2020.

A portaria remota compensa mesmo com o custo da rescisão?

Na maioria dos prédios com portaria 24 horas, sim. A economia mensal costuma ficar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, o que paga a rescisão em menos de um ano. Com o crédito, o condomínio não precisa ter esse valor em caixa: a parcela é paga com a própria economia.

Preciso de aprovação em assembleia para contratar o crédito?

Sim. A contratação deve ser aprovada em assembleia e registrada em ata, assim como a mudança no modelo de portaria. A Credios entrega o resumo da proposta para apresentar aos condôminos e o modelo de texto da ata.

O síndico precisa dar aval ou garantia pessoal?

Não. O crédito da Credios para condomínios não exige garantia de imóvel nem aval do síndico, e o CPF dele não é consultado. Quem contrata é o condomínio, e o recurso vai direto para a conta dele.

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Gabriel Meirelles

Gabriel Meirelles

Fundador e CEO da Credios

Fundador e CEO da Credios, consultoria especializada em Crédito com Garantia de Imóvel. Em sete anos liderando a empresa, intermediou R$ 150M+ em 500+ operações com 30+ bancos parceiros. Formado em Direito pela UERJ, atua no mercado de crédito desde 2019. Antes fundou uma securitizadora com R$ 50M+ em ativos sob gestão, sempre com foco em crédito com garantia imobiliária.

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