
Empréstimo com Garantia de Imóvel de R$ 100 Mil: Quanto Custa?
Quanto custa, na vida real, um home equity de R$ 100 mil? Pego uma proposta de verdade — taxa, IOF, seguros, CET e o valor da parcela — e mostro por que ela saiu bem abaixo da média do mercado.
Gabriel Meirelles·28 de junho, 2026·9 min de leitura“Mas quanto vai sair a parcela?” É a pergunta que aparece em quase toda primeira conversa. A pessoa já entendeu que dá para pegar dinheiro usando o imóvel como garantia, já sabe que a taxa é baixa em comparação com cartão e cheque especial, mas a conta de verdade — a que pesa no orçamento todo mês — continua abstrata. Então vamos tirar a abstração do caminho.
Peguei uma proposta real, fechada para um cliente, de R$ 100 mil de crédito com garantia de imóvel. Não é simulação de calculadora genérica, não é “a partir de”: é o documento que saiu do banco, com taxa, impostos, seguros, CET e o valor de cada parcela. A operação ficou em 1,19% ao mês + IPCA, com CET de 19,70% ao ano e parcela inicial de R$ 1.527 em 240 meses. Daqui a pouco eu mostro o print.
Sou Gabriel Meirelles, CEO da Credios — consultoria especializada em empréstimo com garantia de imóvel. Em sete anos cotando essa modalidade com mais de 15 bancos, fundos e fintechs ao mesmo tempo, aprendi que o número que importa não é o que o banco anuncia: é o que aparece numa proposta fechada, com tudo embutido. E é exatamente isso que você vai ver aqui, linha por linha.
Antes do número: o que é, de fato, o crédito com garantia de imóvel
Rápido, porque o resto do texto depende disso estar claro.
Crédito com garantia de imóvel — ou home equity — é você pegar um empréstimo dando seu imóvel já quitado (ou quase) como garantia, sem vender e sem sair de casa. Você continua dono, morando, podendo alugar e reformar. O imóvel entra por alienação fiduciária, o mecanismo da Lei 9.514/97 que sustenta praticamente todo o crédito imobiliário do país: ele fica em garantia até você quitar e volta a ser 100% seu no fim.
Como a garantia é forte, o juro despenca. É por isso que essa é uma das linhas mais baratas que um pessoa física consegue no Brasil — fica perto do crédito imobiliário e a anos-luz do rotativo do cartão, que passa de 400% ao ano pelas estatísticas do Banco Central.
O dinheiro é livre. Os usos que mais vejo na prática:
- Trocar dívida cara por barata — quitar cartão, cheque especial, capital de giro de curto prazo e ficar com uma parcela muito menor.
- Capital para a empresa — injetar caixa no negócio a um custo que a conta PJ raramente oferece.
- Aproveitar uma oportunidade — comprar um ativo, entrar num negócio, com retorno acima do custo do crédito.
A regra que não muda: como o imóvel está na jogada, a parcela tem que caber no orçamento inclusive num ano ruim. Esse é o filtro. Tudo o que vem agora — taxa, prazo, parcela — existe para você responder a uma única pergunta: isso cabe?
A conta real: uma proposta de R$ 100 mil, de verdade
Vamos ao documento. Esta é uma proposta de home equity do Banco Inter, um dos nossos parceiros — e faço questão de revelar o banco porque o ponto aqui é mostrar número real, não esconder atrás de “uma instituição financeira”.

O cliente pediu R$ 100 mil, com um imóvel avaliado em R$ 320 mil — ou seja, usou só cerca de 31% do valor do imóvel como garantia. Quanto menor essa proporção, mais confortável o banco fica, e melhor tende a sair a taxa. Olhe o resumo da operação:

São cinco números que decidem tudo. Vou traduzir:
- Taxa: 1,19% ao mês + IPCA. O 1,19% é o juro real, “limpo”. Em cima dele corre o IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE. Significa que a parcela e o saldo são corrigidos pela inflação todo mês — é o que torna a taxa pré tão baixa. A taxa efetiva anual da parte pré é 15,25%.
- IOF: R$ 3.720,61. Imposto federal sobre operação de crédito. Inegociável — incide em qualquer banco.
- Despesas: R$ 7.000. Avaliação de engenharia do imóvel, registro em cartório e custos de formalização da garantia.
- Financiado com despesas: R$ 110.720,61. Aqui está um detalhe que muita gente não percebe: IOF e despesas entram dentro do contrato e são financiados junto. Você pede 100 e o saldo nasce em 110,7 mil, com juros correndo sobre o total.
- CET: 19,70% ao ano. O Custo Efetivo Total é o número que importa. Ele junta tudo — juros, IOF, seguros, tarifas — numa conta só. A divulgação do CET antes de assinar não é cortesia: é exigência do Banco Central, pela Resolução CMN 4.881/2020.
Quanto fica a parcela?
A pergunta original. A resposta, em valores de hoje: a parcela começa em R$ 1.527,16.

Olhe a composição da primeira parcela: R$ 81,83 de amortização, R$ 1.317,58 de juros e R$ 127,75 de seguros. No início, você paga muito juro e abate pouco do saldo — é a natureza da Tabela Price. Conforme o contrato avança, a proporção se inverte: a amortização sobe, o juro cai.
Os seguros embutidos (R$ 127 no começo) são o MIP, que quita a dívida em caso de morte ou invalidez do titular, e o DFI, que cobre danos físicos ao imóvel. Os dois são padrão em operações com garantia imobiliária e entram na parcela.
Agora, um ponto de honestidade que vale mais que qualquer número redondo: eu não vou te dar um “total pago” desta operação. Como a parcela é corrigida pelo IPCA todos os meses, qualquer “você vai pagar R$ X no fim” seria chute disfarçado de precisão — depende da inflação dos próximos 20 anos, que ninguém conhece. O que existe de concreto é a parcela de hoje (R$ 1.527), a taxa real (1,19% a.m.) e o CET (19,70% a.a.). Desconfie de quem te promete o total exato de uma dívida indexada à inflação.
Num crédito corrigido pela inflação, o “total pago” exato não existe. O que existe é a parcela de hoje e o CET. O resto é futurologia.
R$ 100 mil a 1,19% + IPCA é caro ou barato?
Barato. E não é opinião solta — é comparação.
Comece pelo teto. O rotativo do cartão passa de 400% ao ano e o cheque especial encosta no limite legal de 8% ao mês, pelos dados do Banco Central. Trocar uma dívida dessas por um CET de 19,70% ao ano não é economia: é mudar de categoria.
Mas a comparação que mais importa é dentro do próprio home equity, porque é onde mora a diferença que quase ninguém vê. Eu mostrei, em outra análise aqui do blog, uma proposta de crédito com garantia feita no simulador da Caixa em que o CET chegou a 29,52% ao ano. Mesmo produto, mesma garantia (um imóvel), e quase dez pontos percentuais de diferença no custo anual. Em uma operação de 100 mil ao longo de 20 anos, esses dez pontos viram um caminhão de dinheiro.
Para dimensionar o mercado: o crédito com garantia de imóvel é uma das frentes que mais cresce no país, segundo a Abecip — e crescimento atrai banco, fundo e fintech, cada um com uma política de preço própria. É justamente essa dispersão que abre espaço para uma proposta sair muito melhor que a média. Desde que alguém saiba onde procurar.
Por que essa proposta saiu assim (e por que a sua pode sair diferente)
Aqui está a parte que o print não mostra.
Uma proposta de 1,19% + IPCA com CET de 19,70% não cai do céu, e raramente é a primeira que um banco coloca na mesa. Ela é resultado de levar o mesmo cliente para concorrer entre instituições que se comportam de formas diferentes — e de saber, antes de bater na porta, qual delas tende a gostar daquele perfil de imóvel, daquela renda, daquele valor.
É isso que a Credios faz. A gente não trabalha com um banco: trabalha com mais de 15, entre bancos grandes, fundos de crédito e fintechs. E, mais importante que o número, é o acesso — relacionamento direto com as mesas de crédito e com os diretores que de fato aprovam e precificam operação. Quando uma proposta precisa de um ajuste de taxa, de prazo ou de percentual liberado, a diferença entre conseguir e não conseguir costuma ser saber com quem falar.

Foi assim que essa proposta de R$ 100 mil saiu onde saiu. O cliente não precisou virar especialista em política de crédito de banco, nem rodar atrás de gerente em cinco agências. A operação foi cotada em paralelo, comparada CET contra CET, e fechada onde fez mais sentido para ele — neste caso, no Inter. Em outro caso, com outro imóvel e outra renda, poderia ter sido em qualquer um dos outros parceiros. Cada instituição ganha em um perfil e perde em outro; a graça está em saber qual é qual.
Quando faz sentido tomar R$ 100 mil no seu imóvel
Número bonito não basta. A operação só vale se ela resolve a vida — e há casos em que não resolve.
Faz sentido quando os R$ 100 mil trocam uma dívida bem mais cara, injetam capital com retorno acima do custo do crédito, ou destravam uma oportunidade real. A parcela de ~R$ 1.527 precisa caber com folga, e o uso do dinheiro precisa render mais do que ele custa.
Não faz sentido para uma despesa pequena e pontual que outra linha resolveria, para um prazo muito curto, ou quando a parcela só fecha no cenário otimista. Comprometer o imóvel por 20 anos pede folga e disciplina, não aperto.
E vale a régua de sempre: a parcela tem que caber inclusive num ano ruim. A garantia que torna esse crédito tão barato é o teto da sua casa. Ela é o que dá a taxa — e é o que você não quer arriscar.
Próximos passos
Se você quer saber quanto o seu imóvel pode liberar, e com que taxa e parcela na prática, faça uma simulação no nosso simulador. Leva dois minutos, é gratuito e sem compromisso — e, como a gente trabalha com mais de 15 bancos, fundos e fintechs, a estimativa já nasce comparando, em vez de te prender à vitrine de um banco só.
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Quanto o seu imóvel pode liberar?
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Estimativa para fins didáticos. A taxa final depende do seu perfil de crédito, do imóvel e do banco escolhido. Não inclui IOF nem CET.
Perguntas frequentes
Perguntas frequentes
Quanto custa um empréstimo com garantia de imóvel de R$ 100 mil?
Depende do banco, do prazo e do seu perfil — e é exatamente por isso que comparar muda tudo. Na proposta real que analiso neste artigo (Banco Inter, imóvel de R$ 320 mil, 240 meses), a operação saiu a 1,19% ao mês + IPCA, com CET de 19,70% ao ano e parcela inicial de R$ 1.527,16. Além dos juros, entram no custo o IOF (R$ 3.720,61), as despesas de avaliação e registro (R$ 7.000) e os seguros embutidos na parcela. O número que resume tudo é o CET.
Qual a diferença entre a taxa de juros e o CET?
A taxa de juros (aqui, 1,19% ao mês) é só uma parte da conta. O CET — Custo Efetivo Total — junta juros, IOF, seguros e tarifas num único percentual ao ano, e é o que de fato pesa no seu bolso. Sua divulgação antes da contratação é exigida pelo Banco Central (Resolução CMN 4.881/2020). Compare sempre CET contra CET, nunca taxa anunciada contra taxa anunciada.
Por que a parcela é corrigida pelo IPCA?
Porque a taxa contratada foi “1,19% ao mês + IPCA”. O 1,19% é o juro real, e o IPCA (índice oficial de inflação medido pelo IBGE) corrige a parcela e o saldo devedor mês a mês. Esse formato permite uma taxa pré bem mais baixa, mas significa que o valor nominal da parcela acompanha a inflação ao longo do contrato. Por isso não existe um “total pago” exato em reais para uma operação assim.
R$ 1.527 por mês é uma boa parcela para R$ 100 mil?
Para um crédito de R$ 100 mil a 20 anos, com CET de 19,70% ao ano, é uma parcela competitiva — bem abaixo do que costuma sair quando o cliente fecha com o primeiro banco que aparece. Para efeito de comparação, em outra análise do blog mostro uma proposta de crédito com garantia cujo CET chegou a 29,52% ao ano. A diferença entre uma proposta e outra mora em quão bem a operação foi comparada antes de assinar.
Preciso ter o imóvel quitado para conseguir os R$ 100 mil?
Não necessariamente. O ideal é o imóvel quitado, mas há operações que aceitam imóvel com saldo de financiamento, e até portabilidade. O que pesa é a relação entre o valor pedido e o valor do imóvel: na proposta deste artigo, os R$ 100 mil representavam só cerca de 31% de um imóvel de R$ 320 mil, o que ajudou a garantir uma taxa melhor.
Sobre o autor
Gabriel Meirelles é CEO e fundador da Credios, consultoria especializada em Crédito com Garantia de Imóvel (Home Equity). Em sete anos de operação, a Credios já intermediou mais de R$ 150 milhões em mais de 500 operações de crédito, com mais de 15 instituições financeiras parceiras — bancos, fundos de crédito e fintechs, o Banco Inter entre eles —, atendendo empresários, holdings patrimoniais e investidores em todo o Brasil. Formado em Direito pela UERJ, atua no mercado de crédito desde 2019.
Fontes
- Banco Inter — Home Equity (página oficial do produto)
- Resolução CMN nº 4.881/2020 — Custo Efetivo Total (CET)
- Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997 — alienação fiduciária
- IBGE — IPCA, o índice oficial de inflação
- Banco Central — Estatísticas de crédito (taxas por modalidade)
- Abecip — Mercado de crédito imobiliário e home equity

Gabriel Meirelles
Fundador e CEO da Credios
Fundador e CEO da Credios, consultoria especializada em Crédito com Garantia de Imóvel. Em sete anos liderando a empresa, intermediou R$ 150M+ em 500+ operações com 15+ bancos parceiros. Formado em Direito pela UERJ, atua no mercado de crédito desde 2019. Antes fundou uma securitizadora com R$ 50M+ em ativos sob gestão, sempre com foco em crédito com garantia imobiliária.
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